Laureano Souza

    Laureano Souza

    São Paulo (SP)
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    Luiz Fernando Mirault Pinto, Professor
    Luiz Fernando Mirault Pinto
    Comentário · há 12 anos
    Fazendo uma análise não estatística, mas de observação, constatamos diferentemente do que outras pessoasafirmam, que o poder aquisitivo do povo brasileiro aumentou de fato.
    Esse poder se traduz não só na capacidade concreta de adquirir bens de consumo devido ao aumento de salário como o poder de negociar porque agora o brasileiro tem expectativas quanto sua participação na taxa de empregabilidade, na conquista de sua dignidade por meio dos programas sociais e na oportunidade que passou a ter viajando ao exterior fazendo compras, e internamente para ver seus familiares, sendo complementadas pela inclusão aos meios de informação.
    As políticas sociais tem alavancado o desenvolvimento humano oportunizando aos mais carentes, carteira de crédito para compra de bens de consumo (televisões, i-phones, i-pads, tabletes, jogos eletrônicos, a linha branca de eletrodomésticos com a redução de impostos), aquisição da casa própria e porque não um carro popular.
    Os conservadores argumentam que com tais medidas houve o aumento de inadimplência, e não aceitam que a falta de pagamento das obrigações está atrelada aos juros exorbitantes cobrados pelos bancos, que muitas vezes aceitam reduzir a dívida do cliente pela metade, recebendo mesmo assim valores em muito acima do principal, contrariando qualquer lei de usura. A própria Constituição estabelece que os juros devem corresponder ao máximo em 12%.
    O cidadão de hoje, mais antenado não tem mais receio das cobranças realizadas pelos escritórios, que ameaçam mundos e fundos, repassando as dívidas para outros, indefinidamente quando não conseguem auferir seus resultados de imediato, e por isso mesmo aguardam que os acordos realizados satisfaçam as partes, pois sabem que os juros cobrados pelas empresas são irreais.
    Para quem nunca teve condições de adquirir um bem desejado a oportunidade chegou, e se por vezes o consumo se torna exagerado, a satisfação e a necessidade uma vez saciada, o ritmo normal de gastos voltará, só que em um patamar mais alto, pois se sabe que há muito o brasileiro não vive e não aceita mais o salário oficial, não se submetendo mais a empregos de baixa renda. A renda da classe C baixa é superior ao que se estabelece como referência.
    Conservadores que não aceitam o avanço social ocorrido nos últimos 12 anos continuarão a justificar que a inadimplência está relacionada a pouca capacidade de endividamento, quando em verdade se trata de uma forma de protesto fiscal velado, onde de um lado o mercado oferece enormes vantagens irreais e do outro, porque não, um consumidor que “passa a perna” nessas ofertas ilusórias, deixando de cumprir com suas obrigações, pouco se importando com o chamado “bom nome”, “ficha limpa”, pois estão cientes que na primeira prestação do seu bem adquirido, o mercado já repôs seu estoque!
    Se a inadimplência chegar a um nível alarmante, o governo certamente interferirá, reduzindo o crédito, aumentando os juros, diminuindo o consumo. Aí, os mesmos que criticam o consumo, se voltarão contra o aumento da inflação, e mais uma vez terão o que reclamar!
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